SOBRE O SÍNODO DA AMAZÔNIA

Entre os dias 06 e 27 de Outubro, em Roma, acontecerá o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia atendendo à convocação do Papa Francisco em 2017. Um evento de suma importância para os povos, particularmente, dos países que estão incluídos nesse bioma: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, e Guiana Francesa, numa extensão de 7,8 milhões de quilômetros quadrados, aproximadamente. Alí, vivem cerca de 33 milhões de habitantes, 03 milhões dos quais, são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.


Seria cômico, não fosse trágico, o fato de muitos adversários do Papa se posicionarem contrários ao Sínodo. Revelam uma ignorância sem limites. E as críticas negativas são feitas por pessoas tidas como religiosas tanto na Igreja Católica como em outras, apoiadas por Sites de péssima qualidade como por exemplo, Templários de Maria e Filhos de Deus. Essa gente não conhece a Sociologia da Igreja; muito menos sua Doutrina Social alicerçada na Tradição, nas Sagradas Escrituras e no Magistério. Se atrevem a dar opinião de forma aleatória. Não creio que tenham lido documentos tais como: Mater et Magistra e Pacem in Terris do Papa João XXIII, Populorum Progressio de Paulo VI, Laborem Exercens, de João Paulo II, Deus caritas est, de Bento XVI e Laudato si, de Francisco. Só para citar alguns.
Conhecem os Documentos da Conferências Episcopal Latino Americana? Rio de Janeiro, Medellin, Puebla, Santo Domingo, Aparecida?


Bebem de fontes poluídas e uma vez contaminados, tendem a morrer. No último dia 30 de setembro, um evento que reuniu na Sé de São Paulo centenas de pessoas contou-se com a presença ou a representação de mais de 100 instituições e organizações religiosas e civis de diversas expressões, que assim manifestaram seu apoio à iniciativa do sínodo. Também havia políticos de vários partidos. Ninguém, a não ser os oito líderes religiosos, teve a palavra. As falas foram breves e respeitosas, disse o Cardeal Odilo. A extrema direita logo distorceu o que acontecera numa atitude farisaica merecedora do discurso de Jesus no Capítulo 23 do Evangelho segundo Mateus.
Convém rezar pelo Sínodo. As comunidades que habitam a região amazônica identificaram muitos problemas de importância crucial para o mesmo: A criminalização e o assassinato de líderes e ativistas que defendem o território; a apropriação e a privatização de bens naturais, incluindo a água; as concessões de abate legal de árvores e o abate ilegal; as prática predatórias de caça e pesca, sobretudo nos rios; os megaprojetos infraestruturais: concessões hidrelétricas e florestais, abate de árvores para a produção de monoculturas, estradas e ferrovias, projetos mineiros e petrolíferos; a poluição provocada por toda indústria extrativa, que causa problemas e doenças, em particular às crianças e jovens; o narcotráfico. Situações acompanhadas por problemas sócias como: alcoolismo, violência contra as mulheres, a exploração sexual, o tráfico de seres humanos, a perda da cultura e identidade originárias e a condição de pobreza.

Portanto, os povos, as lideranças políticas, os mais diferentes segmentos religiosos, têm uma responsabilidade no que tange ao alargar a visão para com a defesa da Casa Comum.


Pe. Eliseu